BNA regista crescimento dos canais electrónicos e instantâneos com impacto positivo na inclusão financeira
5/8/20245 min read


O Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Nacional de Angola (BNA) reuniu-se nos dias 13 e 14 de Janeiro de 2026, em Luanda, tendo tomado as seguintes decisões:
Reduzir a Taxa BNA de 18,5% (dezoito vírgula cinco por cento) para 17,5% (dezassete vírgula cinco por cento);
Reduzir a taxa de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez de 19,5% (dezanove vírgula cinco por cento) para 18,5% (dezoito vírgula cinco por cento); e
Manter a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 16,5% (dezasseis vírgula cinco por cento).
A decisão sobre as taxas de juro de política justifica-se pela desaceleração consistente da inflação, que em Dezembro superou o objectivo definido para 2025, bem como pela perspectiva de manutenção desta tendência nos próximos meses.
Conjuntura Internacional
O ano de 2025 foi marcado por tensões comerciais e geopolíticas, que acentuaram a volatilidade nos mercados financeiros e os preços das commodities, condicionando o crescimento da economia mundial.
Ao longo do ano observou-se a consolidação do processo de desinflação da economia mundial, o que levou muitos Bancos Centrais a adoptarem uma postura de maior flexibilização da política monetária.
No que respeita às commodities energéticas, o preço médio do petróleo Brent fixou-se em 68,33 USD por barril, o que representa uma redução de 14,41%, comparativamente ao ano anterior, resultado do aumento da oferta, num contexto de fraca procura mundial. Para 2026, as principais agências internacionais projectam um preço médio em torno de 60 USD por barril.
Economia Nacional
A taxa de inflação no final de 2025 fixou-se em 15,70%, reflectindo uma redução significativa, face aos 27,50% registados em 2024. A redução da inflação resultou, essencialmente, do aumento da oferta de produtos de amplo consumo, da melhoria das condições monetárias, reflectida no controlo da liquidez em circulação e na sua adequação à actividade económica, assim como da estabilidade cambial observada ao longo do ano.
A classe de alimentação e bebidas não alcoólicas registou uma variação de 16,15% comparativamente aos 30,47% observados em 2024, reflectindo uma redução de 14,32 pontos percentuais. Apesar desta diminuição, a classe em referência continuou a ter a maior contribuição na inflação total, com 9,78 pontos percentuais (62,30%).
No que respeita ao comportamento dos preços por províncias, o destaque recai para Luanda, onde a taxa de inflação homóloga fixou-se em 14,20%, face aos 32,18% observados em 2024. Destacam-se, igualmente, a província do Huambo (13,60%), as províncias do Cubango e Cuando (14,06%), assim como as províncias do Zaire (14,33%) e Cunene (14,67%).
O produto Interno Bruto, de acordo com as estatísticas das contas nacionais, divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes ao terceiro trimestre de 2025, apresentou um crescimento acumulado de 2,15%, impulsionado pela expansão da actividade económica não petrolífera, com destaque para o crescimento da indústria transformadora (7,22%), agropecuária e silvicultura (3,33%) e comércio (6,29%).
Nesta perspectiva, o BNA estima um crescimento do PIB em 2025 de 2,6%, destacando-se a contribuição positiva do sector não petrolífero, com uma taxa de crescimento de 4,3%, ao passo que o sector petrolífero terá contraído 4,6%.
Relativamente às condições monetárias, a Base Monetária em moeda nacional expandiu 3,77% em 2025, influenciada pelo crescimento observado em Dezembro, na ordem de 5,36%. O agregado monetário M2, em moeda nacional, cresceu 15,89% em termos acumulados, em linha com o aumento do nível geral de preços.
O stock de crédito à economia, em moeda nacional, atingiu 7,37 biliões de kwanzas em Dezembro de 2025, representando uma expansão acumulada de 22,55%, ou seja, 1,36 biliões de kwanzas em termos absolutos face ao stock observado em Dezembro de 2024.
O Sistema de Pagamentos de Angola registou em 2025 uma aceleração da digitalização dos pagamentos. O crescimento dos canais electrónicos e instantâneos tiveram um impacto positivo na inclusão financeira. Assistiu-se, igualmente, ao incremento do volume de transacções na Rede Multicaixa e nos sistemas de transferências. Nesta perspectiva, convém destacar:
A descontinuidade dos cheques como instrumento de pagamento;
A adesão aos pagamentos instantâneos no âmbito do arranjo KWiK;
A adopção dos pagamentos com recurso ao QR code;
O aumento do número de caixas automáticos em 12%, tendo passado de 4 127 em 2024 para 4 621.
No mercado cambial primário, a oferta regular de divisas (vendas das companhias petrolíferas, diamantíferas e de clientes diversos) aos bancos registou um aumento de 23,0%, passando de 7 895,84 milhões de dólares dos Estados Unidos para 9 689,54 milhões de dólares dos Estados Unidos, o que contribuiu para a estabilidade da taxa de câmbio.
Adicionalmente, a oferta de divisas foi complementada pelas vendas pontuais do Tesouro Nacional e do BNA no valor de 1 824,48 milhões de dólares dos Estados Unidos e 489,04 milhões de dólares dos Estados Unidos, respectivamente, totalizando uma oferta global de 12 003,06 milhões de dólares dos Estados Unidos em 2025.
No sector externo, o saldo da conta de bens atingiu 14 014,68 milhões de dólares dos Estados Unidos, face aos 22 604,80 milhões de dólares dos Estados Unidos do período homólogo de 2024, representando uma redução de 38,0%, ou seja, 8 590,11 milhões de dólares dos Estados Unidos, em termos absolutos.
A diminuição do saldo superavitário da conta de bens resultou do decréscimo do valor das exportações em 19,14%, ou seja, 7 043,95 milhões de dólares dos Estados Unidos em termos absolutos, e do aumento do valor das importações em 10,90%, correspondente a um acréscimo de 1 546,17 milhões de dólares dos Estados Unidos.
O stock das Reservas Internacionais fixou-se em 15 903,69 milhões de dólares dos Estados Unidos, face aos 15 767,56 milhões de dólares dos Estados Unidos registados no ano anterior, o que corresponde a um aumento de 136,13 milhões de dólares dos Estados Unidos. Este nível das reservas internacionais representa um grau de cobertura de 7,6 meses de importação de bens e serviços.
Para o ano de 2026, o BNA perspectiva:
Uma taxa de inflação, no final do período, de 13,5%, sustentada pela manutenção de um nível de liquidez adequado ao crescimento económico, pela relativa estabilidade dos preços das commodities alimentares no mercado internacional, bem como pela evolução favorável da oferta interna de bens de amplo consumo.
Um crescimento do PIB em torno de 3,5%, a ser impulsionado pelos sectores não petrolífero (4,5%) e petrolífero (1,1%).
A próxima reunião do CPM terá lugar na cidade de Moçâmedes, província do Namibe, nos dias 11 e 12 de Março de 2026

Vídeo da Conferência de Imprensa do CPM do Banco Nacional de Angola
Yaamoney
Entre em contato conosco para mais informações.
Siga-nos
+244 912 345 678
Deecomba © 2025. All rights reserved.
Redes sociais
Endereço
Projecto Nova Vida, Luanda, Angola


